W. W. Matta e Silva

Médium Umbandista durante 50 anos tendo nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 28 Junho de 1917 e falecido a  17de Abril de 1988…

Ainda hoje, as suas 9 obras escritas, são actuais e constituem as bases e os fundamentos mais avançados do puro e real Umbandismo a seguidores e simpatizantes.

Iniciou a sua tarefa na literatura Umbandista, em 1956 com a obra de “Umbanda de todos nós”, paga por ele mesmo para ser editada. É considerada a “bíblia” da Umbanda por serem transcendentais e avançados os seus ensinamentos.

Umbanda de todos nós agradou a milhares de Umbandistas, que encontraram nela os reais fundamentos em que poderiam se escudar nos aspectos mais puros e límpidos da doutrina Umbandista. Mas, se para muitos foi um impulso renovador de fé e convicção, para outros, os interessados em iludir, fantasiar e vender ilusões, foi um verdadeiro obstáculo às suas funestas pretensões, tanto que começaram a combatê-la por todos os meios possíveis e até à socapa. Quando perceberam que, ao combatê-la, estavam fazendo sua apologia e a maior das propagandas, enfureceram-se… iniciaram o ataque contundente, através da baixa-magia… e, mais uma vez, sem sucesso! 

 

Realmente, foi uma briga astral, feroz… além de ter contrariado interesses mesquinhos de determinados pseudos líderes Umbandistas da época, também desagradou a um astral inferior e todo um séquito de entidades menos evoluidas, as quais perceberam que com o lançamento e a aceitação da obra, seu império de acções negras e nefastas ficou seriamente ameaçado. Perceberam que, com a luz do esclarecimento se manifestando, não haveria mais lugar para a ignorância, faltando, pois, substrato às sombras, fonte primária e primeira de suas acções funestas.

Realmente, foi uma luta astral, uma demanda, em que as sombras e as trevas utilizaram-se de todos os meios agressivos e contundentes que possuíam, arrebanhando para as suas fileiras do ódio e da discórdia tudo o que de mais nefando e trevoso encontrassem, quer fosse encarnado ou desencarnado.

Momentos difíceis assoberbaram a rígida postura do mestre, que muitas vezes, segundo ele, sentiu-se balançar. Mas não caiu! … 

Na época, alguns arrivistas incapazes e despeitados, aproveitando-se de uma palestra pública, preferida austeramente pelo mestre Matta, fotografaram-no centenas de vezes, com a vil, baixa e torpe intenção de poder atingi-lo através de rituais inferiores que é claro, só têm aceitação para os magos negros e sub-planos . Não tiveram os mínimos escrúpulos, atacaram-no de todas as formas, queriam matá-lo, eliminá-lo, somente por ele ter alertado a grande massa popular que campeava por esses ditos terreiros. Tais indivíduos, queriam beneficiar-se de todas as formas, para conseguir isto ou aquilo, precisando usar o povo como massa de manobra, a fim de levá-los a cargos, a situações para as quais não detinham merecimento ou capacidade.

Decepcionado com a recepção desses verdadeiros opositores, renhidos e fanáticos, à sua obra, W.W. da Matta e Silva resolveu cruzar suas armas, que eram sua intuição, sua visão astral, calcada na lógica e na razão, e sua máquina de escrever… embora confiasse no astral, que o escolhera para a árdua e penosa tarefa, por intermédio desse mesmo astral obteve Agô para um pequeno recesso, onde encontraria mais forças e alguns raros e fiéis aliados que o seguiriam no desempenho da missão que ainda o aguardava.

Na época se não fosse pela sua Luz Astral, W.W. da Matta e Silva teria desencarnado… só não tombou porque Pai Oxalá não quis… muitas vezes precisou dormir com sua Guia firmada, pois ameaçavam-no de levá-lo durante o sono… imaginem os assaltos que devem ter assoberbado o nobre mestre Matta …

Seus 2 filhos, Ubiratan e Eluá, também sofreram, embora de forma leve, as rebarbas dos entrechoques de ordem astral que, em avalanche, desceram e atingiram a família. A demanda foi feroz, sendo que de seus perseguidores, a maioria recebeu segundo a lei…

“Pai Cândido”, que logo a seguir denominou-se como “Pai Guiné”, assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilibro astrofísico de seu filho, para em seguida orientá-lo na escrita de mais um livro. Foi editada então, “Umbanda” – sua eterna doutrina, obra de profunda filosofia transcendental. Até então, jamais haviam sido escritos os conceitos esotéricos e metafísicos expostos. Brilhavam, como ponto alto em sua doutrina, os conceitos sobre o cosmo espiritual ou reino virginal, as origens dos seres espirituais, etc… os seres espirituais foram ditos como sendo incriados e como tal, eternos…

Devido a ser muito técnica, “Umbanda” – sua eterna doutrina agradou aos estudiosos de todas as correntes. Os intelectuais sentiram peso em seus conceitos, sendo que, para dizer a verdade, passou até certo ponto desapercebida pela grande massa de crentes e mesmo pelos ditos dirigentes Umbandistas da época.

Ainda não se esgotara a primeira edição de sua eterna doutrina e Pai Matta já lançava outra obra clássica, que viria a enriquecer ainda mais a doutrina do movimento Umbandista. 

Complemento e ampliação dos conceitos herméticos esposados por sua eterna doutrina, o novo livro, “Doutrina Secreta de Umbanda”, agradou mais uma vez a milhares de pessoas.

Não obstante suas obras serem lidas não só por adeptos Umbandistas, mas também por simpatizantes e mesmo estudiosos das ditas ciências ocultas, seu santuário, em Itacurussá, era frequentado pelos simples, pelos humildes, que sequer desconfiavam ser o velho Matta um escritor conceituado no meio Umbandista. No seu santuário, Pai Matta guardou o anonimato, vários e vários anos, em contacto com a natureza e com a pureza de sentimentos dos simples e humildes. Ele merecera essa dádiva, e nessa doce paz de seu terreiro escreveria mais outra obra, também possante em conceitos.

Assim nasceu, “Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho”, obra mediúnica que apresenta um diálogo edificante entre um filho de Fé (“Zi-Cerô”) e a entidade espiritual que se diz preto-velho. Obra de nível, mas de fácil entendimento, sem dúvida foi um marco para a doutrina do movimento Umbandista.

Após 4 obras, W.W. da Matta e Silva tornou-se por demais conhecido, sendo procurado por simpatizantes de todo o Brasil. Embora atendesse a milhares de casos, como em geral são atendidos em tantos e tantos terreiros por este Brasil fora, havia em seu atendimento uma diferença fundamental: as dores e mazelas que as humanas criaturas carregam eram retiradas, seus dramas equacionados à luz da razão e da caridade, fazendo com que a choupana do “Velho Guiné” quase todos os dias estivesse lotada…

Atendia também aos oriundos de Itacurussá – na ocasião uma cidade sem recursos – que, ao necessitarem de médico, e não havendo nenhum na cidade, recorriam ao velho Matta.

Este, com sua bondade e caridade, a todos ministrava medicamentos da flora local, e mesmo holopatias simples, que ele mesmo comprava quando ia à cidade do Rio de Janeiro. Ficou conhecido como curandeiro, e sua fama ultrapassou os limites citadinos, chegando &agre, recorriam ao velho Matta.

Este, com sua bondade e caridade, a todos ministrava medicamentos da flora local, e mesmo holopatias simples, que ele mesmo comprava quando ia à cidade do Rio de Janeiro. Ficou conhecido como curandeiro, e sua fama ultrapassou os limites citadinos, chegando às ilhas próximas, de onde acorriam centenas de sofredores de vários matizes. Durante exactos 10 anos W.W. da Matta e Silva cumpriu essa tarefa, que transcendia a suas funções sacerdotais…

As suas obras são honestas, sinceras, reais, e revelam, em suas causas, o hermetismo desta Umbanda de todos nós. Segundo sábios mentores de nossa corrente, os seus livros levarão mais de 50 anos para serem completamente assimilados e colocados em prática. É necessário, que nos preparemos para esse evento de luz redentora da nova era do 3º milénio. As obras de W.W. da Matta e Silva preparam, ajustam e apontam para a Umbanda do 3º milénio. 

Outra obra “Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda”. Logo a seguir, viria “Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda”. A primeira ressalta de forma bem simples e objectiva as raízes míticas e místicas da Umbanda. Aprofunda-se no sincretismo dos cultos afro-brasileiros, descortinando o panorama do actual movimento Umbandista. A segunda aborda a magia etéreo-física, revela e ensina de maneira simples e prática certos rituais selectos da magia de Umbanda. Constitui obra de cunho essencialmente prático e muito eficiente.

Prosseguindo, chegamos a “Umbanda e o Poder da Mediunidade. Nessa obra entenderemos como e porque ressurgiu a Umbanda no Brasil. Ela aponta as verdadeiras origens da Umbanda. Fala-nos da magia e do médium-magista. Conta-nos, em detalhes, ângulos importantíssimos da magia sexual. Há nesse livro uma descrição sobre as zonas cavernosas do baixo astral, revelando covas com seus magos negros que, insistentemente, são alimentados em suas forças por pensamentos, actos e até por oferendas grosseiras das humanas criaturas.

Após 7 obras, atendendo a numerosos pedidos de simpatizantes, resolveu lançar um trabalho que sintetizasse e simplificasse todas as outras já escritas. Assim surgiu “Umbanda do Brasil”, seu oitavo livro. Agradou a todos e, em 6 meses esgotou-se. Em 1975 lançaria o mestre sua última obra: “Macumbas e Candomblés na Umbanda”. Esse livro é um registo fidedigno de vivências místicas e religiosas dos chamados cultos afro-brasileiros. Constitui um apanhado geral das várias unidades, terreiros, as quais reflectem os graus consciencionais de seus adeptos e praticantes. Ilustrado com dezenas de fotografias explicativas, define de maneira clara a Umbanda popular, as macumbas, os candomblés de caboclo e dá noções sobre culto de nação africana, etc.

 

Conhecemo-lo em 1971 quando, após ler “Umbanda de Todos Nós”, tivemos forte impulso de procurá-lo. Na ocasião morávamos em São Paulo. Fomos procurá-lo em virtude de nosso astral casar-se profundamente com o que estava escrito naquele livro, principalmente sobre os conceitos relativos às 7 linhas, modelo de ritual e a tão famosa “Lei de Pemba”. Assim é que nos dirigimos ao Rio de Janeiro, sem saber se o encontraríamos. Para nosso regozijo, encontramo-lo na livraria Freitas Bastos da rua 7 de Setembro.

Quando nos viu, disse que já nos aguardava, e porque tínhamos demorado tanto?!

Realmente ficamos perplexos, deslumbrados… parecia que já o conhecíamos há milénios… e, segundo ele, conhecíamo-nos mesmo, há várias reencarnações…

A partir dessa data, mantivemos um contacto estreito, frequentando, uma vez por mês, a famosíssima gira de “Pai Guiné” em Itacurussá – verdadeira terra da cruz sagrada, onde “Pai Guiné” firmou suas raízes, que iriam espalhar-se, difundindo-se por todo o Brasil. Conhecer W.W. da Matta e Silva foi realmente um privilégio, uma dádiva dos Orixás, que guardo como sagrado no âmago de meu ser. Muito humano, fazendo questão de ressaltar esse fato, era avesso ao endeusamento, mais ainda à mistificação de sua pessoa. Como humano, era muito sensível e de personalidade firme, acostumado que estava a enfrentar os embates da própria vida… era inteligentíssimo!

Tinha os sentidos aguçadíssimos… mas era um profundo solitário, apesar de cercarem-no centenas de pessoas. Seu espírito voava, interpenetrando e interpretando em causas o motivo das dores, sofrimentos e mazelas várias…

A todos tinha uma palavra amiga e individualizada. Pai Matta não tratava casos, tratava almas… e como tal tinha para cada pessoa uma forma de agir, segundo o seu grau consciencional próprio!

Sua cultura era exuberante, mas sem perder a simplicidade e originalidade. De tudo falava, era actualizadíssimo nos mínimos detalhes… discutia ciência, política, filosofia, arte, ciências sociais, com tal naturalidade que parecia ser mestre em cada disciplina. E era! …

Quantas e quantas vezes discutíamos medicina e eu como médico, confesso tinha de me curvar aos seus conceitos, simples mas avançados…

No mediunismo era portentoso… seu pequeno copo da vidência parecia uma televisão tridimensional! Sua percepção transcendia! … Na mecânica da incorporação, era singular seu desempenho! Em conjunto simbiótico com “Pai Guiné” ou “Caboclo Juremá”, trazia-nos mensagens relevantes, edificantes e reveladoras, além de certos fenómenos magistícos, que não devemos citar…

Assim, caro leitor, centenas de vezes participamos como médiuns actuantes da tenda de Umbanda Oriental, verdadeira escola de iniciação à Umbanda Esotérica de Itacurussá, na rua Boa Vista, 157, no bairro de Brasilinha.

A Tenda de Umbanda Oriental (T.U.O.) era um humilde prédio de 50 m. A sua construção, simples e pobre, era limpa – e rica em assistência astral. Era a verdadeira tenda dos Orixás… foi aí, nesse recinto sagrado, onde se respirava a doce paz da Umbanda, que, em 1978, fui coroado como mestre de iniciação de 7º grau e considerado representante directo da raiz de “Pai Guiné”, em São Paulo. Antes de ser coroado, é claro que, já havia passado por rituais que antecedem a “coroação iniciática”.

É necessário frisar que, desde 1969, tínhamos nossa humilde choupana de trabalhos Umbanísticos, em São Paulo, onde atendíamos centenas de pessoas, muitas das quais enviadas por “Pai Matta”. Muitos deles dos que vieram, tornaram-se médiuns de nossa choupana, a ordem iniciática do cruzeiro divino.

Muitas e muitas vezes tivemos a felicidade e a oportunidade ímpares de contarmos com a presença de Pai W.W. da Matta e Silva em nossa choupana, seja em rituais selectos ou públicos e mesmo em memoráveis e inesquecíveis palestras e cursos. Uma delas, aliás, constitui acervo do arquivo da ordem iniciática do cruzeiro divino: uma fita de videocassete em que seus “Netos de Santé” fazem-lhe perguntas sobre sua vida, doutrina e mediunismo… constam ainda de nossos arquivos centenas e centenas de fotos, tiradas em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros e vários locais…

Para encerrar esta longa conversa com o prezado leitor, pois se continuarmos um livro de mil páginas não seria suficiente, relatemos a última vez que “Pai Matta” esteve em São Paulo, isto em Dezembro de 1987.

Em Novembro de 1987 estivemos em itacurussá, pois nosso astral já vinha nos alertando que a pesada e nobre tarefa do velho mestre estava chegando ao fim… surpreendeu-nos, quando lá chegamos, que ele nos chamou e, a sós e em tom grave, disse-nos:

- Rivas, minha tarefa está chegando ao fim, o “Pai Guiné” já me avisou… pediu-me que eu vá a São Paulo e lá, no seu terreiro, ele baixará para promover, em singelo ritual, a passagem, a transmissão do comando vibratório de nossa raiz…