A Umbanda

UMBANDA é a Manifestação do Espírito para a Caridade.

A  palavra  Umbanda é um vocábulo  sagrado oriundo da língua Abanheenga, que era falada pela  Raça Tronco  Tupy.  A palavra “Umbanda”, que  na sua  forma  original é “AUM-BAN-DAN” (conforme tese apresentada no 1º Congresso de Umbanda realizado no Rio de Janeiro em 1941 pelo Sr. Benjamim Figueiredo), tem o seguinte significado:

AUM – À Divindade Suprema            
BAN – Conjunto ou Sistema              
DAN – Regra ou Lei

Em sua expressão significa “O CONJUNTO DAS LEIS DIVINAS”. Também conhecido pelo “mantra” da Umbanda (Caboclo Pedra Roxa – Mentor responsável pelo “Terreiro de Umbanda Barracão de Xangô”).

A Umbanda é mais do que uma religião é uma filosofia de estar na vida.

Se dentro da Umbanda conseguimos nos “religar” com Deus, conseguimos tirar o véu que cobre nossa ignorância da presença de Deus em nosso íntimo, então podemos chamar nossa fé de Religião. Como mais uma das formas de sentir Deus em nossa vida, a Umbanda cumpre a função religiosa se nos levar à reflexão sobre nossos actos, sobre a urgência de reformularmos nosso comportamento aproximando-o da prática do Amor de Deus. A Umbanda é uma religião lindíssima, de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos, Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda “organizados” em linhas; cada uma delas com funções,   características e formas de trabalhar bem específicas, todas subordinadas às forças da natureza que os regem, os ORIXÁS.

Mas, torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma de religião, expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o surgimento, na 1ª década do século XX, da mesma.

Em 1500, quando os portugueses avistaram o que para eles eram as Índias, em realidade o Brasil, ao desembarcarem depararam-se com uma terra de belezas deslumbrantes, e já habitada por nativos. Os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias, denominaram a estes aborígines de índios. Os primeiros contactos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se com alguns símbolos que os estrangeiros apresentavam. Porém, o tempo e a convivência se encarregaram em mostrar aos habitantes de Pindorama (nome indígena do Brasil) que os homens brancos estavam ali por motivos pouco nobres. O relacionamento, até então pacífico, começa a se desmoronar como um castelo de areia. São inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na novel lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar na Bahia os primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda espécie de castigos físicos e morais, e até a subtracção da própria vida. Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de Santa Cruz. Ora laborando no plano astral, ora como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que lhes eram infligidos. Além disso, muitas das crianças índias e negras, eram mortas, quando meninas (por não servirem para o trabalho pesado), quando doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas, acabavam sendo mortas também, vítimas da revolta de alguns índios e negros. Juntando-se então os espíritos infantis, os dos negros e dos índios, acabaram formando o que hoje, chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda. Assim, hoje vemos esses espíritos trabalhando para reconduzir os algozes de outrora ao caminho de Deus.

A igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investiu covardemente para eliminar a religiosidade negra e índia. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito “nobre” de “salvar” a alma dos nativos e dos africanos. A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade, fez com que os negros associassem as imagens dos santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época, e assim continuar a praticar e difundir o culto das forças da natureza, a esta associação deu-se o nome de “Sincretismo religioso”.

O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos culturais originários de diferentes cidades Iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de candomblé, predominando em cada nação tradições da cidades ou região que acabou lhe emprestando o nome: queto, ijexá, efã. Esse candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua contrapartida em Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi,1991). Outra variante ioruba, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além dos candomblés iorubas, há os de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e congo, e aqueles de origem marcadamente fom, como o jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense. Os anos sucedem-se. Em 1889 é assinada a “lei áurea”. O quadro social dos ex-escravos é de total miséria. São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social. Na parte religiosa seus cultos são quase que direccionados ao mal, a vingança e a desgraça do homem branco, reflexo do período escravocrata. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos (mamelucos), cafuzos e negros, não tinham campo de actuação nos agrupamentos religiosos existentes. O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de “doutores”. Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário existente, por ordens direitas do “Cristo Planetário” (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades.   A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas: a africana, a indígena e a europeia. Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e Orixás africanos, dando origem ao Umbandismo.

A Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de adoptar novos elementos. Assim o elemento negro trouxe o africanismo (nações); os índios trouxeram os elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo e o Kardecismo; e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de sua ritualística à Umbanda. Essas cinco fontes criaram o pentagrama umbandista: Cristianismo, Indianismo, Espiritismo, Orientalismo e Africanismo. A Umbanda não é uma seita religiosa, Umbanda é religião, portanto tem seus fundamentos próprios, o conceito de seita é muito antigo e vem da época em que haviam religiões oficiais, onde aqueles que se opunham de alguma forma àquela liturgia, formando grupos discidentes, eram chamados de seitas e portanto considerados “hereges”, à margem da sociedade. Hoje em dia o termo seita é muito mais utilizado para identificar grupos fanáticos religiosos, que mantém facções em cima de práticas e conceitos que vão contra o bom senso comum. A Umbanda não é um grupo discidente, não surgiu para se opor a ninguém, não usamos métodos de conversão ou fanatismo doutrinário, as práticas religiosas jamais poderão atentar contra o bom senso ou os valores de moral comum. Com base nestes dados podemos dizer com certeza que Umbanda é religião e o que está surgindo é uma base Umbandista, com fundamentos Umbandistas, directamente recebidos pela espiritualidade. A Umbanda é uma religião Universalista, onde não se aceita o racismo, preconceito ou intolerância religiosa. Ela está, assim como a própria representação de Oxalá, de braços abertos recebendo, agregando e amparando todo e qualquer espírito que queira evoluir e manifestar a Força de Deus. Na Umbanda manifestam-se espíritos vindos de todas as outras religiões e regiões do planeta: são hindus, árabes, judeus, budistas, cristãos, índios brasileiros, negros africanos e até grandes magos ou sacerdotes. Esses espíritos dotam-se de nomes simbólicos e são identificados perante as qualidades dos falangeiros dos Orixás. Assim, vemos hoje na Umbanda, por exemplo, um antigo e sábio hindu se manifestando como um Caboclo, ou um renomado doutor se manifestando como um Preto-Velho, ou ainda um grande mago ou sacerdote se manifestando como Exú, sem preconceito algum apenas trabalhando e manifestando as qualidades e atributos específicos da Divindade Suprema – Deus - transcendendo todas as religiões espalhadas no plano material e sustentando a evolução de toda a humanidade de forma única e universalista.    A Umbanda é uma religião Espírita, pois como define Alan Kardec, no Livro dos Médiuns: “Espírita, é aquele que crê no espírito e nas suas manifestações”. Ou seja, todo aquele que acredita na manifestação de espíritos, segundo o próprio Kardec, é espírita! A Umbanda também é uma religião Cristã, pois a Umbanda acredita e aceita a existência de Jesus Cristo como o maior médium que já existiu, seguindo seus ensinamentos e seu mandamento maior: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a um irmão, não fazendo a esse irmão aquilo que não queremos que façam connosco.

Isto e muito mais é a UMBANDA

Axé
Pai Nuno de Xangô
Sacerdote de Umbanda